quarta-feira, junho 24, 2009

Perda, Esperança e Vitória

   Caros leitores,

   Contarei agora uma história pessoal e verídica que já ocorreu (e vem ocorrendo) há algum tempo, mas que até hoje não tive a inspiração para compartilhar. Acredito ter chegado, finalmente, a hora.

   Perda

   Há cerca de um ano e meio tive uma enorme reviravolta em minha vida. Fui inesperadamente acometido por uma doença extremamente rara e séria, chamada Síndrome de Susac. Uma doença auto-imune recente (descoberta em 1978) com menos de 200 casos no mundo inteiro. A doença afeta em sua grande maioria as mulheres, sendo eu, oficialmente, o nono (9º) homem do mundo a contraí-la.
   Esta doença é principalmente disparada por stress e causa uma vasculite sistêmica grave. Ataca primariamente a retina, cóclea e sistema nervoso central (SNC). Cada um dos poucos casos registrados até hoje tem um perfil bastante diferente e peculiar para cada indivíduo, tornando a doença, além de tudo, de difícil diagnóstico.
   No meu caso específico, tive alguma degradação na visão (alteração na visão periférica, sensação de ofuscamento, etc.) Tive sérios distúrbios no SNC, incluindo perda de coordenação motora, equilíbrio, memória, raciocínio, concentração e habilidade de leitura. E finalmente, minhas cócleas foram afetadas de tal maneira que houve morte de praticamente todas as células receptoras, resultando na perda total da audição (perda neurosensorial bilateral definitiva).
   Como pensador, perdi a habilidade de raciocinar propriamente. Minha condição me impossibilitava de sequer realizar operações aritméticas insignificantes, ou exercícios básicos de linguagem, como soletrar palavras comuns.
   Como escritor, mal conseguia ler coerentemente um texto, quanto mais desenvolver e escrever idéias.
   Como músico, não conseguia ouvir sequer minha própria voz, barulhos do ambiente, sons da natureza, quanto mais as notas musicais, timbres, acordes e melodias que tanto me deram prazer no passado.
   Adentrei um mundo assustadoramente silencioso, introspectivo e incerto.

   Esperança

   Após a estabilização de minha condição, durante dois meses de internação em quatro hospitais diferentes, doses maciças de medicamentos, incontáveis exames e intermináveis doses de preocupação, não só minha mas também (e talvez, principalmente) de meus familiares e amigos, deu-se um incansável processo de recuperação. Através de exaustivo e contínuo treino (físico e mental), muita determinação, paciência, e uma boa dose de força de vontade, que vêm durando todo este último ano e meio, quase todos estes obstáculos foram transpostos.
   Houve total recuperação da retina e hoje minha visão encontra-se normal. Meu poder de raciocínio foi gradativamente retornando até a total recuperação. O mesmo com minha coordenação motora, habilidade de concentração e leitura, e praticamente todos os lapsos de memória. Meu equilíbrio, apesar de ainda não estar cem por cento, recuperou-se de tal forma que tornou-se imperceptível às demais pessoas qualquer degradação aparente.
   Infelizmente, a morte das células receptoras no interior das cócleas não é reversível naturalmente. De forma que ainda me encontro no introspectivo mundo do silêncio. Contudo, fui capaz de encontrar paz nesta nova condição. Tornei-me extremamente observador, meus sentidos tátil, olfativo e visual apuraram-se imensamente. Encontrei prazer em outras áreas e atividades. Tenho aprendido muito sobre mim mesmo e sobre as pessoas, através de um ponto de vista que jamais tivera acesso. Aprendi o verdadeiro valor da família e dos verdadeiros amigos.
   E aprendi que a vida é muito mais do que, normalmente, nos damos conta.

   Vitória

   Minha vitória veio de várias formas. Minha paz interior tem sido a maior e mais significante delas. A recuperação da minha independência e auto-confiança, e a não-perda de minha personalidade (uma das coisas que mais me preocupava) também contaram bastante. Contudo, a maior vitória veio através de uma notícia totalmente inesperada e repentina.
   Já faz um ano que venho levando o processo para conseguir a cirurgia do implante coclear através do SUS (Serviço Único de Saúde). Venho também, paralelamente, tentando o mesmo processo através do convênio de saúde que, apesar de serem obrigados por lei a cobrir o procedimento, muitas vezes demoram para se manifestar e, em alguns casos, é necessário recorrer ao judiciário. Minha maior aposta é que a cirurgia fosse aprovada pelo SUS, provavelmente no final deste ano.
   Vale uma explicação: Implante Coclear (IC) é uma tecnologia relativamente recente, que vem se desenvolvendo de maneira impressionante nos últimos anos, e que para alguns tipos de deficiência auditiva (o meu caso) é a única solução possível para se obter alguma melhora. Tipicamente, obtem-se bons resultados, variando muito de pessoa para pessoa, já que existem inúmeras variáveis envolvidas no processo.
   Agora, no início deste mês de junho, tive a inesperada notícia que meu plano de saúde havia aprovado a cirurgia. Fui a Porto Alegre realizar os exames e avaliações pré-operatórias, em um processo que aconteceu muito mais rapidamente do que eu esperava. Feito isso, ficou determinado que sou um ótimo candidato ao IC e minha cirurgia já foi marcada para, pasmem, dia 27 próximo!
   Esta então, será minha mais gratificante vitória. A retomada do poder de comunicação e interação com as pessoas, de forma muito mais satisfatória e, principalmente, a perspectiva de poder finalmente retornar ao mundo da música. De tudo o que me foi afetado, desde o início, essa talvez tenha sido minha mais frustrante perda: meu exílio involuntário do mundo musical.
   Aí o duende dirá: mas por que então falar de uma vitória que ainda nem sequer aconteceu?
Respondo, meu caro. Não preciso saber do resultado, pois já tenho a certeza absoluta de que a recuperação de minha audição, embora que certamente não seja a volta exata do que um dia foi, será plenamente satisfatória para minhas expectativas e devolverá, com certeza, uma de minhas maiores paixões: a música.
   Depois de tudo o que aconteceu, todas as provações e aprendizado, isso já é, sim, a Vitória.

sábado, dezembro 06, 2008

Vida

   É estranho como às vezes as coisas mais irreais parecem as mais reais.
   A vida tem a habilidade de transformar as coisas dessa maneira. O que parece certo transforma-se em uma catástrofe. O que é definitivo, passa a ser duvidoso. Os conceitos se misturam de tal forma que é impossível discernir uma coisa de outra.
   O que cura, às vezes adoece. Felicidade mescla-se à tristeza. E o amor... bom, esse é uma história completamente diferente.
   Passamos a vida inteira traçando metas, definindo prioridades e concebendo pré-julgamentos. Para depois percebermos que foi tudo em vão.
   E as coisas mais reais transformam-se apenas em... saudade.

sexta-feira, novembro 14, 2008

História da Eloísa

   Eloísa era uma garota de 15 anos. Bonita, simpática e cheia de sonhos, como uma típica adolescente normal. Aos 12 anos conheceu um rapaz de 19, Kindermann, aparentemente normal, com quem iniciou um relacionamento. O rapaz era conhecido pelo apelido "Sujo". A família, por incrível que pareça, aprovou o namoro de uma menina de 12 com um rapaz de 19 como se fosse uma coisa normal.

   Três anos mais tarde, o relacionamento terminou mal, após vários términos e reconciliações. Sujo mostrou-se um rapaz altamente problemático ao longo de todo o tempo, como inúmeros amigos e colegas do casal, bem como outros moradores do bairro, podiam afirmar. Após mais uma separação, que ocorreu por conta de uma agressão de Sujo contra Eloísa, a mãe quis dar queixa na polícia. No entanto, o pai de Eloísa, um criminoso foragido da polícia há anos, não quis, por motivos óbvios.

   Sujo então sequestrou Eloísa, por não aceitar a separação. Após 100 horas de sequestro, e tentativas mal-sucedidas de negociação, Sujo acabou por expor-se em frente a uma janela do apartamento. Um dos franco-atiradores da polícia, muito bem preparada, não hesitou e eliminou o bandido com um tiro certeiro na cabeça.

   Eloísa foi salva e saiu ilesa de seu cativeiro. Após o incidente, o comandante da operação foi rodeado de moradores, jornalistas e ativistas. As pessoas indagavam:

   -- Comandante, por que a polícia foi tão precipitada? Não daria para tirar o Sujo vivo?

   -- Vejam bem, a ordem que dei à minha equipe foi: "Tirem a Eloísa de lá ilesa". E eles conseguiram. Vocês não estão felizes? Ela poderia estar morta, mas está sã e salva e seus pais estão muito contentes de ter sua filha de volta.

   -- Mas e os pais do Sujo?

   -- Os pais do sequestrador e potencial assassino? Bom, acho que vão ter que se conformar com o fato do filho deles ter se tornado um sequestrador e potencial assassino. Infelizmente a vida é dura mesmo. Principalmente para os bandidos, que optaram por essa vida. As pessoas de bem, que não infringem as leis, normalmente tem uma vida melhor. A Eloísa era de bem e não infringiu nenhuma lei. E infelizmente, ainda teve que passar por tudo isso. Mas nós a salvamos. É o nosso dever. Proteger os cidadãos de bem.

   -- Mas Comandante, o senhor não está sendo desumano?

   -- Veja bem, amigo. O senhor tem filhos?

   -- Tenho sim. Um garoto de 6 anos. O Elói.

   -- Hmm, Elói? Me parece familiar. Então, digamos que um dia, e Deus queira que isso nunca venha a acontecer, o Elói seja sequestrado. Você chamaria a polícia, não?

   -- Claro, senhor.

   -- Então, qual seria o seu pedido à polícia?

   -- Que prendessem...

   -- Amigo, apenas um pedido à polícia, por favor. Pode ser "Não deixem o bandido morrer", ou "tirem o Elói de lá vivo".

   -- Tirem meu filho de lá vivo, por favor.

   -- Então, e nós faríamos isso. Se você pedisse "não deixem o bandido morrer", nós garantiríamos isso para o senhor. Já o Elói...

   A multidão começou a se dispersar e do outro lado da rua podia-se ver os pais de Eloísa felizes, abraçando a Eloísa e agradecidos pela polícia ter feito seu trabalho e conseguido proteger sua filha inocente das garras de um criminoso.

quarta-feira, junho 25, 2008

Fiscalização na Internet

   Uma fundação chamada Card Foundation, propõe a criação de uma espécie de RG digital, uma identificação eletrônica com certificação e protegida de fraudes que possa identificar os usuários online. Segundo eles, caso se concretize, "o ID digital poderá facilitar a vida dos usuários, evitando que eles precisem decorar uma série de senhas".
   Sim, sim. Tudo muito bom. Mas a verdadeira razão para quererem fazer isso é poder identificar cada usuário de forma a terminar com o anonimato na Internet, que foi justamente o que a tornou tão popular e eficiente. Ok, Duende. O tal anonimato pode trazer (e trás) problemas, como o fluxo de SPAM, esquemas de phishing, etc, etc. Mas existem outras formas de se combater esse tipo de coisa. A Internet não é um mundo convencional. E nem deve ser. Tem suas próprias regras, leis e convenções.  Não estou dizendo que deve ser um caos sem regras. Mas não deve ser tratado pelas mesmas convenções do mundo "tradicional". E quem não está satisfeito com isso, pode simplesmente ficar fora dela. Ela é pública, aberta e (espera-se) democrática.
   A iniciativa já conta com nomões da área, como Google, Microsoft, Novell, Oracle e PayPal, que óbviamente têm seus motivos (financeiros) para querer apoiar a idéia. Mas não se preocupem. Isso não vai passar. A comunidade "Internáutica", ao contrário do povo brasileiro, é extremamente ativa quando se trata de manifestações e protestos. Talvez o anonimato tenha algo a ver com isso...
   De qualquer forma, medidas autoritárias deveriam ser sempre banidas. Olhem para a China para entender o que a censura e o autoritarismo podem fazer com o uso da tecnologia.
Sou velho de mais para censurar, mas suficientemente jovem para agir
-- Johann Goethe

   

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Brasil, rumo a Cuba!

   Olá, caro leitores. Mais uma vez fiquei ausente do blog. Dessa vez por um pequeno problema de saúde. Mas não se preocupem. Só pararei definitivamente e escrever quando a censura mandar me prender.
   Como é o tema deste post: A Justiça proibiu a colocação de outdoors atacando os deputados estaduais que votaram contra a prorrogação da CPI dos Pedágios. Foi determinada a retirada de vinte painéis colocados no dia primeiro de fevereiro nas cidades de Caxias do Sul, Farroupilha e na grande Porto Alegre.
   É impressionante, enquanto os nossos "dignos" representantes tem carta branca para poder dizer publicamente qualquer bandalheira que lhes vem a mente (por exemplo, o famoso "Relaxa e Goza" da nossa ministra -- aí não tem censura), quando nós decidimos acusar alguém das coisas que nos atingem, eles autoritariamente nos proíbem sem qualquer cerimônia.
    É isso aí. E viva a democracia. Muito em breve estaremos lado a lado com os países "irmãos" como Cuba, China e porque não, Irã??

sexta-feira, junho 29, 2007

Dormir para quê?

   Ontem fiquei trabalhando até as 7:00 da manhã (como de costume) e quando estava me preparando para ir dormir parei em frente à janela e percebi o céu tornando-se azulado, indicando que o Sol já estava nascendo. Como não estava realmente com sono comecei a pensar que seria bom pegar o carro e dirigir até a praia para ver o Sol nascer lá. E aí comecei a pensar, que desperdício é dormir. Se não precisasse gastar 8 horas (ou 6 ou menos, no meu caso) por dia dormindo, quantas coisas mais poderia fazer. Poderia, com certeza, ir até a praia e ver o Sol nascer.
   Nessa torrente de pensamentos onde uma coisa vai levando a outra, comecei a meditar sobre o assunto. Me ocorreu que, todo o esquema do dia ter 24 horas não faz muito sentido. Se Deus quisesse que dormíssemos 8 horas todos o dias, deveria ter feito o dia com 32 horas então. Aí sim, seria muito mais lógico. E aí então percebi, não se trata do número de horas dormindo ou acordado. É a proporção! 8 horas em 24 é um terço! Um terço inteiro do nosso dia, jogado fora. Não é à toa que ninguém tem tempo para nada hoje em dia.
   Digamos que você viva 75 anos (o que é uma média razoável para os dias de hoje). Aí você vai contar para os seus netos que está tranqüilo, pois viveu uma vida completa, 75 anos inteiros e bem vividos. Que grande lorota! A quem você está querendo enganar? Pois bem, meu caro, você não viveu mais do que 50 anos. Porque durante 25 anos inteiros você estava dormindo. Sim, dormindo! 25 anos!! Um terço da sua vida.
   Tem alguma coisa seriamente errada com essa planejamento divino aí. Sinceramente, se era pra isso, eu preferiria que Deus tosasse logo de uma vez um terço da nossa vida, em anos, e não nos obrigasse a dormir esses 25 anos parcelados, um pouquinho a cada dia. Faça-nos viver 50 anos bem vividos acordados, e depois que morrermos então poderemos dormir o quanto for necessário.
   Porque, sinceramente, o que é que realizamos de fato enquanto estamos dormindo? Sim, sim, Duende, é quando o nosso corpo se regenera, quando nosso cérebro processa e guarda informações importantes do dia anterior e tudo isso que já estamos carecas de saber. Mas de verdade, o que é que nós realizamos de concreto enquanto deitamos, totalmente indefesos e expostos, durante 8 horas consecutivas em um quarto escuro, enquanto o mundo gira lá fora? Absolutamente nada.
   Minha teoria é que Deus fez dessa forma para que pudesse dar conta de resolver todos os nossos problemas. Humanos acordados dão tanto trabalho e demandam tamanha atenção que Ele teve que nos colocar para dormir, alternando-nos em grupos para que conseguisse dar conta do recado.
   É, parece que o tempo é mesmo curto para todo mundo. Até para Ele...

Dormir pra quê se a morte é um sono eterno?
   

quarta-feira, junho 27, 2007

Aprendeu a lição, Daniela?

   Há um tempo atrás eu havia publicado um post comentando sobre a barbaridade do processo da Daniela Cicarelli contra o YouTube (que chegou a tirar o serviço do ar por dois dias). Pois bem, pasmem e acreditem se quiserem, mas parece que nem tudo está perdido na novela de absurdos judiciários. Pena que a Justiça não trabalhe assim nas questões que realmente interessam...
   Não só o juiz Gustavo Santini Teodoro considerou improcedente o pedido de proibição do vídeo, mas também e negou o pedido de idenização por danos morais e ainda, melhor de tudo, condenou a Daniela e o namoradinho a pagarem R$10 mil em custas processuais aos advogados do YouTube. Não que esta quantia "descomunal" vá fazer cócegas nos cofres da Daniela e do Tato, mas pelo menos serve para mostrar a eles (e a quem mais possa interessar) que ter um sobrenomezinho conhecido não dá direitos especiais (não?).
   E aí Daniela, aprendeu que não pode transar em praia pública?

segunda-feira, junho 25, 2007

De volta ao país dos macacos

   Olá caros leitores. Viagens e outros compromissos me impediram de atualizar o blog nos últimos meses. Mas tentarei retomar, para insatisfação de muitos.
   E como não podia deixar de ser, o post vai ser sobre política. Aliás, política não, porque o que se faz neste país não é política e sim teatro (comédia, e da pior qualidade).
   Na verdade, o que eu gostaria de dizer mesmo é que nunca mais vou falar de política no Brasil, porque não vale a pena desperdiçar o meu tempo com tamanha palhaçada. Mas antes que o Duende venha me cobrar, eu retifico: é claro que voltarei a falar disso, até porque sou um dos raríssimos "indignados" neste circo.
   Vou então deixar apenas oficializado o meu desgosto, a minha indignação e náusea, perante o fato de ser obrigado a fazer parte de uma nação onde o ridículo, a incompetência, o cinismo, a hipocrisia, a desonestidade e a falta de respeito são vistos como "cultura nacional". E preparem-se, leitores, pois estou a poucos passos de redirecionar toda a minha revolta, não mais aos políticos de araque, mas sim ao próprio povo. Estou a ponto de tornar os Atores da Grande Comédia Nacional inocentes e proclamar culpados os brasileiros.
   Brasileiros esses que ao escutarem da boca da nossa ministra (?) Marta o imortalizado "Relaxa e Goza" não são capazes de mais nada além de gastar o seu tempo inútil inventando charges e piadas que não têm outro propósito a não ser a "diversão". Brasileiros esses que ao presenciarem a bandalheira na Câmara dos Deputados entre o deputado (?) Clodovil e sua colega "atriz" Cida tomam as dores de um ou de outro (não sei qual é pior) ao invés de explodirem em uma cólera de revolta e se perguntarem "é isso para o qual estamos pagando seus salários?". Sim, nós estamos pagando seus salários. Aliás, todo o dramalhão sobre a feiura da Cida não impediu os deputados a terminar a votação e aprovação do aumento dos seus próprios salários (mais uma vez).
   Só queria  terminar (antes de ir ao banheiro vomitar) com uma pergunta: "Até quando, brasileiros? Até quando vão continuar rindo da própria desgraça?"
   E finalmente, no espírito do colega Olavo de Carvalho e fazendo referência a uma piadinha antiga e singela contada pelo meu avô, gostaria de deixar um conselho aos meus compatriotas:

Quem está na merda, não canta!
 

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Panem et circenses

   Na Roma antiga, o Estado oferecia pão e circo aos plebeus como forma de mantê-los ocupados e distraídos para não pensarem nos problemas sociais e políticos da época. Parece que no Brasil a política é mais ou menos a mesma. Não sei quanto ao pão, mas o circo está rolando solto lá dentro da Câmara dos Deputados. E a lista de palhaços não pára de crescer.
   O (deputado???) Clodovil é um exemplo disso. Durante a cerimônia de posse ontem, destacou-se vestindo um extravagante terno branco, chapéu e bengala. Mas a maravilha maior veio depois, quando ao ser indagado sobre sua disposição de votar a favor do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) lançado pelo presidente Lula, elegantemente proferiu: "O que é isso? O que são essas siglas?"
   Além da patética demonstração de ignorância, que fez com que os próprios repórteres tivessem que explicar ao deputado o que significava o programa, mostrou toda a sua geniosidade política: "É plano, não resolve nada, tem de colocar em ação. Não ficar no papel." Sim, senhor deputado, estou perplexo com a sua perspicácia. O show de horrores continua então, quando os repórteres insistem que o deputado precisaria votar o PAC pois o projeto seria votado no Congresso. Nosso ídolo então retruca: "Tanta coisa vem para cá e nem sempre são coisas boas. Vocês podem, inclusive, não gostar de mim, dizer que não sou uma coisa boa. Isso é um problema seu, não meu." É... brilhante.
   Não sei mais se os palhaços estão hospedados lá em Brasília, ou se é no resto do Brasil todo que estamos. Vou comprar um nariz vermelho... e dar para os idiotas que votaram nessa gente.

A vergonha de si próprio é o maior suplício da vida.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

O fim do jornal

   Faz mais ou menos uns dois meses que tomei uma decisão muito significativa em minha vida. Eu havia sido tomado por um sentimento de frustração e impotência diante de tantas notícias ruins que assolavam os meus dias.
   Deixe-me começar do início. Nem sempre gostei de assisitir aos noticiários. Claro, quando somos muito jovens julgamos ser uma grande perda de tempo acompanhar as notícias e sempre conseguimos pensar em centenas de outras coisas que preferiríamos estar fazendo naquele momento. Mas à medida que fui tornando-me adulto e (supostamente) deveria estar sempre a par de tudo o que me rodeia, passei a tomar gosto pelos noticiários. A partir daí, passei a assitir em média de dois a três jornais televisivos diariamente, além das outras fontes de informações. Depois de um certo tempo, cheguei à conclusão de que os noticiários são simplesmente o tipo de programa mais deprimente que se pode assistir. Não estou falando de shows de variedade, programas de auditório e afins. Não, noticiário, jornal mesmo. É praticamente impossível assistir a alguma notícia significativamente boa. Ainda não descobri ao certo se é porque as notícias boas não dão ibope ou porque cada vez menos existem notícias boas para serem divulgadas. Mas acredito ser um pouco das duas coisas. O fato é que cheguei num ponto em que sentava na frente da televisão para assistir ao jornal da noite, já com a minha garrafinha de antiácido na mão. E a cada novo furo de reportagem a minha úlcera gritava um pouco mais.
   Pois finalmente descobri a solução. Aboli o jornal da minha vida. "Mas Grumpy, assim você vai se tornar um completo alienado do mundo, um eremita da sociedade". Não, caro duende. Ainda não perdi completamente o meu juízo.
   É óbvio que continuo me mantendo a par de todas as notícias (desagradáveis) que me rodeiam. Mas acabei com o ritual bizarro de sentar na frente da caixa mágica e deixar a podridão ser assimilada pela mente. Aliás, era uma das últimas coisas que eu ainda me dispunha a assisitir na telinha. Agora só sobraram os filmes. E assim mesmo, previamente selecionados, claro.
   O fato é que com a quantidade infindável de fontes ("confiáveis") de notícias que a Internet nos oferece, realmente não existe nenhuma justificativa para assistir aos jornais televisivos. Estes são normalmente tendenciosos, superficiais e distorcidos, moldados de acordo com as opiniões de suas próprias emissoras. A partir de agora eu busco as notícias que realmente me interessam, sejam elas sobre política, economia, música, esportes, tecnologia, turismo, (...) com a vantagem que posso me aprofundar tanto quanto eu queira sobre cada determinado assunto. E com a rapidez de um clique me livro das opiniões esdrúxulas e infundadas. Mas pelo amor de Deus, não venham me processar depois porque todas as notícias que vocês encontraram na Internet eram lixo. Procurem fontes sérias para as suas notícias. A Internet pode ser também um mar de lama fétida, então cabe a vocês usar o bom senso.
   Em suma é isso. Conclusão: me livrei de todos as bandalheiras dos políticos, dos assassinatos, assaltos e estupros, dos ataques do MST, dos improvisos do presidente e todas aquelas notícias desagradáveis que assombravam o meu fim de noite. Meu mundo está bem melhor. Acho que já posso até me juntar ao Rubens nessa missão...

PS.: Não, duende, não estou tapando o Sol com a peneira ou enfiando a cabeça na terra. Mas sou eu quem decido o que entra na minha vida e como, e não alguns "donos da informação" que pensam saber o que é melhor para as pessoas.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Segunda-feira

Maravilha, mais uma segunda-feira que, pra variar, já não começou direito. Essa idéia de que a segunda-feira é o pior dia da semana é mais velha que o mundo, mas não poderia ser mais verdadeira. Mas por que diabos a segunda-feira é mesmo o pior dia da semana? Ah, o duende vai dizer: "Elementar, meu caro Grumpy. É o pior dia porque é o primeiro dia útil da semana e você sabe que além dela, ainda terá mais quatro dias de trabalho antes de chegar ao abençoado fim de semana". Pois não tem nada a ver com isso. A segunda-feira é ruim mesmo, por natureza. Tem algo de malévolo, quase sobrenatural.
Mas deve existir alguma explicação racional (mesmo que psicológica) para isso. Poderia ser que como você acabou de sair do fim de semana, está em outro ritmo, mais leve. Desacostumado em acordar mais cedo e ter que começar o dia trabalhando, ao invés de fazendo qualquer outra coisa mais agradável.
Ou quem sabe, você curtiu demais o fim de semana, pegou praia durante o dia e balada durante a noite, foi dormir tarde e quis acordar cedo para aproveitar o Sol. Segunda-feira você estaria mais cansado e indisposto para trabalhar, o que explicaria o "dia ruim".
Ou ainda, como você passou dois dias inteiros (sábado e domingo) sem resolver problemas, eles acabaram se acumulando, e é então na segunda-feira que você vai ter que resolvê-los todos de uma só vez.
Eu já prefiro a explicação de que todos os seus chefes e colegas de trabalho passam o final de semana inteiro pensando em maneiras diversas de tornar a sua segunda-feira o dia mais miserável de toda a sua semana. Aí sim está uma explicação plausível.
Mas o fato é que a segunda-feira tem um espírito próprio, e age por conta própria para fazer dela mesma o pior dia da semana. Às vezes ela amanhece chuvosa e, obviamente com todas aquelas perturbações tradicionais que um dia chuvoso pode causar. Em outros momentos ela amanhece um lindo dia ensolarado. E aí você passa o dia inteiro olhando para a janela imaginando como seria bom estar na praia, enquanto trabalha tediosamente.
No verão você terá segundas-feiras quentíssimas, que farão com que você se sinta miserável, vestido em suas roupas de trabalho. No inverno, elas serão frias e você vai desejar do fundo de sua alma que pudesse ficar só mais cinco minutos debaixo daquele edredom quentinho.
O fato é que é impossível que uma segunda-feira seja boa. Talvez exista algum deus da segunda-feira que age incansavelmente para fazer com que elas sejam sempre ruins.
Ou quem sabe é apenas porque... segunda-feira é uma droga mesmo.

domingo, janeiro 14, 2007

Censura II

É de dar risada mesmo... Desculpem o post com tema repetido. A idéia do blog não é abordar apenas um assunto desagradável, e sim vários. Contudo não podia deixar de me manifestar sobre mais essa pérola.
Depois da Daniela vem o Rubens. É, mais um todo-poderoso apareceu para influenciar a liberdade de expressão nacional. Mas dessa vez, temos que admitir, foi para um bem maior. Percebe-se que o Rubens está, na verdade, em uma missão (quase) divina de purificar o mundo e torná-lo cada dia mais belo. Afinal de contas, forçando o Orkut a retirar todas as comunidades do ar que o criticavam (as que falam bem, pode deixar), ele está tornando o mundo cada vez mais um lugar onde só prosperam as opiniões positivas, amigáveis e alegres. Aliás, essa deve ser exatamente a idéia do Tribunal de Justiça de São Paulo, que deu ganho de causa para o nosso amigo Rubens. É isso aí. Vamos podar toda e qualquer opinião contrária àquela que nos agrada (agrada a quem, mesmo?) e deixar somente os comentários "positivos".
Por falar nisso, tenho que me lembrar de mandar processar aquele taxista que me xingou no trânsito, aquele bancário que ousou me dizer que eu não tinha crédito suficiente no banco para conseguir um empréstimo (imaginem que absurdo!), e também aquele jornalista (aquele...) que falou mal do meu último artigo. Tenho certeza que assim o mundo será muito mais "positivo".
Talvez se o Rubens se preocupasse mais em correr do que em processos judiciais, ele não recebesse tantas críticas.
Ops, acho que depois dessa meu blog vai acabar saindo do ar. Vou aguardar a intimação enquanto rio. Ou choro.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Censura

A essa altura, todos os aficcionados por tecnologia já sabem que o famoso YouTube está (temporariamente) fora do ar. Sites como esse vivem entrando e saindo do ar. Isso não é nenhuma novidade. O que é realmente curioso, e talvez muitas pessoas não parem para pensar, é o motivo pela qual uma importante empresa como a Google tenha sido banida da Internet brasileira. O motivo, leitores, é a censura! Sim, pasmem, existe censura no Brasil. Parecida com aquela da época da ditadura quando determinadas canções eram proibidas de veicular nas rádios por conterem uma ou outra idéia considerada inadequada. Enquanto a China e outras ditaduras comandam a Internet (e outros meios de comunicação) como querem, no Brasil democrático e liberal, a vida segue.
Agora o que realmente vai estasiá-los é saber quem comandou essa súbita restrição à liberdade de expressão. Não pessoal, não foi o presidente, um senador, nenhum político importante ou mesmo algum comandante do exército. Foi uma modelo. Aliás, perdão: o namorado da modelo.
É, realmente patético. Eu não sei na verdade o que é mais patético. Se é o fato da espertalhona decidir brincar de médico no meio de uma praia lotada de gente, se é o fato de ela ter se surpreendido com o fato de o vídeo ter ido parar na Internet (e ter achado ruim ainda, imagina...), ou se o patético mesmo é o fato dos nossos juízes desocupados acharem o tempo para se preocupar com esse tipo de coisa. Deve estar faltando o que fazer.
E antes que alguém comente: pelo amor de Deus, não venham me falar de violação de privacidade. Viu, Daniela, se estiveres lendo o post: é para esse tipo de coisa que inventaram motel.
Mas é isso aí mesmo. Parece que por aqui quem dá as cartas é o pessoal que tem dinheiro e poder (não são a mesma coisa?). Se fosse eu, transando na praia, provavelmente teria sido preso, antes mesmo de conseguir colocar a sunga. Imaginem a cena...
Mas a Daniela já conseguiu bastante coisa: foi criado um blog "em homenagem" a ela. Segue o link só por curiosidade: http://www.boicoteacicarelli.com. E conseguiu que até a Wikipedia tirasse o verbete dela do ar por conta de "atos de vandalismo". Parabéns! Como os famosos vivem de exposição na mídia, acho que foi uma boa propaganda.
É, realmente patético.

Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela. (George Bernard Shaw)

PS.: Sim, eu sei que o YouTube já foi desbloqueado. Mas não podia deixar de manifestar a minha indignação.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Apresentação

Olá caros leitores. Imagino que primeiramente devo me apresentar.
Sou Nelson Sant'Anna, músico, escritor e pensador. Bom, na verdade todos somos pensadores. É o que nos faz racionais. Embora isso já seja uma discussão para uma outra hora. Quando uso a palavra "pensador", uso-a mais com o sentido de filósofo, apesar de não ter absolutamente nenhuma pretensão de colocar meu nome na história como sendo um dos grandes filósofos. Quero dizer apenas que diferentemente de muitas pessoas, me dou o trabalho de gastar algum tempo pensando nos aspectos da vida.
O título deste blog (tradução: O Velho Ranzinza) veio como homenagem ao filme "Grumpy Old Men" (1993) com Jack Lemmon e Walter Matthau. Aliás, fica a dica de um bom filme, engraçado e com uma porção de diálogos interessantes. Imagino que as atitudes dos protagonistas do filme acima citado também tem algo a ver com a escolha do nome, uma vez que muitas pessoas atribuem uma certa "ranzinzisse" à minha pessoa.
Mas deixe-me explicar: essas pessoas não entendem que não sou de fato uma pessoa ranzinza. Infelizmente (ou felizmente) fui dotado de um sarcasmo natural, uma impaciência, impertinência e intolerância desde o nascimento, e essa chamada "ranzinzisse" é, na verdade, apenas uma maneira de extravazar todas as minhas frustrações em relação a este mundo caótico e cheio de homo sapiens tão sábios em que vivemos. E assim consigo manter minha sanidade mental e os pés no chão em relação aos sonhos de que "um dia tudo vai ficar bem".

Os posts neste blog não seguirão nenhum padrão aparente, portanto por favor, não tentem entender minha linha de raciocínio. É muito provável que entrarei em contradição várias vezes durante essa jornada. E por favor, não utilizem este blog como fonte confiável de informações, ok?

Aos que tiverem a paciência de me acompanhar, boa sorte. Comentários serão bem-vindos, mas serão moderados.